Monday, February 27, 2012

Cá estou eu, uma vez mais como a única forma de conseguir chegar a mim, por não conseguir chegar a mais ninguém. Cá estou eu, de nó no peito, escudo em haste e sem sopro que reste. Longe de todo e qualquer gesto, embrulhada em frio e medo num caminho sem fim nem destino. Estou assim, tão distante quanto só, tão só quanto diferente do que um dia pensei ser. Todo o corpo me dói, a minha alma desespera sem desejo, sem vontade que não desaparecer. Deitar o corpo no chão cansado e fechar os olhos do espírito, lentamente em dormência. Deixar o que é etéreo voar, de volta para onde pertence. Abandonar de vez o que não o é, para que seja engolido pela fome da terra. Ainda assim resvalam-me as lágrimas, insaciáveis, em busca de uma razão para acreditar. De um toque quente no peito, um aconchego, um olhar verdadeiro para o fundo de mim. Mas cá estou eu, só eu. Sem ninguém que me veja por dentro, ninguém que saiba quem sou, ninguém que o queira saber. E cá estou eu, em mais uma noite, que podia ser igual a tantas outras, não fosse este sabor ácido do desespero à queima-roupa que nos sussurra o medo que o fim se cole à pele.

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Tuesday, February 14, 2012

And then there are days, where there is nothing and no one to hold you and pull you up… and you just hope for that moment when you finally close your eyes and allow night to embrace you into the pretending world inside your head.

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Sunday, December 11, 2011

Lately our fights can be summarized into one word…

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Sunday, November 27, 2011

Fecho os olhos e vejo-te a ti. Vejo-me a mim. Abraçamo-nos envoltos por uma luz intensa que tenta difundir-se por entre os nossos corpos colados. Oiço gargalhadas abafadas por entre segredos cúmplices, oiço o som dos pássaros e o quebrar das folhas no Outono. Dançamos felizes, despreocupados em roupa esvoaçante.Corpos boémios em sintonia, inebriados por sabores exóticos.

Fecho os olhos outra vez, sinto o cheiro a bolos acabados de sair do forno enquanto o pôr-do-sol entra pela janela de uma cozinha acolhedora. O teu nariz enfarinhado toca no meu. Sinto o sabor a casa, a magia, a amor. Ouve-se uma música suave que nos conduz com harmonia. Debussy talvez.

Sinto a tua alma em mim, o meu cheiro em ti, o teu jeito e o meu, juntos. Os teus dedos pelo meu cabelo, os meus dedos pelo teu peito.

Fecho os olhos e vejo-te em mim, coisas simples a uma luz ténue que separa o sonho da realidade.

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Wednesday, February 2, 2011

Hoje sinto que estou cansada acima de todos os limites. Cansada de ser testada, posta á prova, levada á exaustão por meros caprichos. Hoje estou cansada que esperem de mim o melhor, as minhas energias esgotaram-se enquanto esperava por respostas que não quero ouvir. Enquanto esperava calma, compreensão… talvez mesmo esperasse um pequeno abrigo onde pudesse recolher as armas e deitar a cabeça. Sucumbir ao que não posso mudar, aceitar o destino como uma oportunidade. Mas não. Hoje não podia ser assim. Até porque se assim tivesse sido, o amanha não poderia ser melhor. Hoje não me arrependo porque sei e aceito que está para além do que consigo aguentar. Não preciso de desculpas. Não preciso de atitudes nem sermões… Não encontrei o que procurava, talvez demasiado sofregamente, e agora não consigo querer mais nada. A pulsação estabilizou, o cansaço adormeceu a tristeza do dito e do não dito e voltei a ficar apenas eu. Apenas a minha respiração e as pálpebras pesadas quando nada mais parece restar. Do fundo da alma oiço leves sussurros…ás vezes encontramos o que procuramos nos locais mais inesperados…e sem dar por isso o amanhã já começou.

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Wednesday, January 12, 2011

A 33000 pés de altitude tento imaginar o futuro, mas não enxergo qualquer imagem. Tento lê-lo nas linhas que cruzam a minha mão…mas nada me parece diferente e  sei que tudo está prestes a mudar. Então se é assim, sem certezas, sem reconforto, sem saber como vai ser, queria apenas um sinal, por mais pequeno que seja, que me fizesse querer agarrar esta oportunidade como à própria vida. Que me desse força para erguer a cabeça e deixar tudo o que conheço. Para conseguir não desistir, não olhar para trás, confiar nem que seja só por um momento no que este destino, tão diferente do que eu tinha imaginado, reserva para mim…e para ti.

Queria uma bola de cristal, um búzio e um bolinho da sorte que me acompanhassem nesta viagem. O que eu não dava por poder ouvir dentro de mim um leve sussurro que dissesse que vai correr tudo bem. Mas não, nada. Apenas um sentimento claustrofóbico capaz de se sobrepor a qualquer molécula de oxigénio que tente beijar os meus lábios.
Queria lançar as cartas e questionar os astros mas o desejo de te encontrar é cada vez mais assombrado e o futuro que tínhamos escolhido para nós parece ter sido coberto por uma névoa espessa, impossível de distinguir. O que vai ser dos nossos retratos, do jacuzzi e dos sofás de pele…da cama grande e fofa e da sala da música com os posters nas paredes? O que vai ser das minhas telas sem ti, dos teus sonhos sem tigres, das nossas bolachas e do nosso cheiro? O que vai acontecer às viagens que tínhamos planeado e a todas as músicas que nos faltam descobrir? Vamos poder continuar a discutir, a fazer conchinha e a concordar em relação a móveis de loiças na sala? Só queria, só quero muito, saber se sim, se não, se posso, se devo, se consigo, se conseguimos,…

Queria só saber…


A 33000 pés de altitude tento imaginar o futuro, mas não enxergo qualquer imagem. Tento lê-lo nas linhas que cruzam a minha mão...mas nada me parece diferente e porém tudo está prestes a mudar. Então se é assim, sem certezas, sem reconforto, sem saber como vai ser, queria apenas um sinal, por mais pequeno que seja, que me fizesse querer agarrar esta oportunidade como à própria vida. Que me desse força para erguer a cabeça e deixar tudo o que conheço. Para conseguir não desistir, não olhar para trás, confiar nem que seja só por um momento no que este destino, tão diferente do que eu tinha imaginado, reserva para mim...e para ti.
Queria uma bola de cristal, um búzio e um bolinho da sorte que me acompanhassem nesta viagem. O que eu não dava por poder ouvir dentro de mim um leve sussurro que dissesse que vai correr tudo bem. Mas não, nada. Apenas um sentimento claustrofóbico capaz de se sobrepor a qualquer molécula de oxigénio que tente beijar os meus lábios.
Queria lançar as cartas e questionar os astros mas o desejo de te encontrar é cada vez mais assombrado e o futuro que tínhamos escolhido para nós parece ter sido coberto por uma névoa espessa, impossível de distinguir. O que vão ser dos nossos retratos, do jacuzzi e dos sofás de pele...da cama grande e fofa e da sala da música com os posters nas paredes? O que vão ser das minhas telas sem ti, dos teus sonhos sem tigres, das nossas bolachas e do nosso cheiro? O que vai acontecer às viagens que tínhamos planeado e a todas as músicas que nos faltam descobrir? Vamos poder continuar a discutir, a fazer conchinha e a concordar em relação a móveis de loiças na sala? Só queria, só quero muito, saber se sim, se posso, se devo, se consigo, se conseguimos,...se queres... Queria só saber...
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Thursday, December 23, 2010

Escalada até ao infinito

Á medida que vou avançando na escalada da vida apercebo-me que o truque divino é arrastar o topo da montanha para longe sempre que quase lá chegamos. Afinal não era esse o caminho… Fazem-te falta mais pedras, mais quedas, mais voos inexperientes. Se ainda tens ar nos pulmões, se o músculo do peito ainda contrai então ainda te falta subir. E se sentires que fintas o destino e o mundo beija a tua mão, há possibilidades infinitas para que a corda que te puxa te passe a pendurar. Somos apenas fantoches a baloiçar numa montanha de faz de conta. O ar que respiramos tanto nos asfixia como nos acaricia e fomos abençoados com um gosto masoquista pela queda livre eminente. A estabilidade que nos foi concedida cabe num fio de cristal que carregamos nas nossas mãos trémulas durante todo o tempo e qualquer sentimento que se assemelhe a equilíbrio significa apenas que ainda não saímos do lugar. É a isto que chamamos vida, são as quedas que nos despertam da dormência, são os voos que nos lembram o que somos, são as pedras que nos forçam a saber o que queremos e até onde vamos para que o peito continue a bater. E a única certeza que temos é que se soubermos ele continua a bater…

Á medida que vou avançando na escalada da vida apercebo-me que o truque divino é arrastar o topo da montanha para longe sempre que quase lá chegamos. Afinal não era esse o caminho... Fazem-te falta mais pedras, mais quedas, mais voos inexperientes. Se ainda tens ar nos pulmões, se o músculo do peito ainda contrai então ainda te falta subir. E se sentires que fintas o destino e o mundo beija a tua mão há possibilidades infinitas para que a corda que te puxe te passe a pendurar. Somos apenas fantoches a baloiçar numa montanha de faz de conta. O ar que respiramos tanto nos asfixia como nos acaricia e fomos abençoados com um gosto masoquista pela queda livre eminente. A estabilidade que nos foi concedida cabe num fio de cristal que carregamos nas nossas mãos trémulas durante todo o tempo e qualquer sentimento que se assemelhe a equilíbrio significa apenas que ainda não saímos do lugar. É a isto que chamamos vida, são as quedas que nos despertam da dormência, são os voos que nos lembram o que somos, são as pedras que nos forçam a saber o que queremos e até onde vamos para que o peito continue a bater. E a única certeza que temos é que se soubermos ele continua a bater...
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Sunday, July 4, 2010

Já…

Já vi o sol nascer, já dancei à chuva.

Já provei sabores de terras longínquas. Já sonhei com príncipes e cavalos brancos.

Já guardei segredos em caixas invisíveis, já escalei muralhas, empunhei espadas e venci medos.

Já quis ser mais alta, já voei. Já subi às árvores e esfolei os joelhos.

Já mudei, já teimei, já pulei de alegria.

Já vi uma vida a começar. Vi relações a acabar.

Já chorei de alegria, já ri apesar da tristeza.

Já fiquei presa a palavras, já me libertei de conceitos.

Já me rendi com um beijo. Já mordi o fruto proibido.

Já me apaixonei por uma música, já me desiludi por amor.

Já fugi de alguém, já me salvaram com um abraço.

Já me encontrei num sorriso. Já sorri sem razão.

Já descobri talentos. Já fiz a diferença.

Passou um quarto de século desde que, pela primeira vez, o ar entrou nos meus pulmões e eu abri os olhos para o que antes só sentia existir. 25 Anos apenas, tanto que o mundo me mudou. Tão pouco que eu o consegui mudar. Há ainda uma infinidade de opções e experiências, um mundo de mudanças para viver.

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Friday, February 5, 2010

Deixei-me cair no banco junto à janela. Podia ser só mais uma vez como tantas outras, em que me deixo ficar e perco o olhar e os sonhos no horizonte, nos montes ao longe, no céu ora limpo ora carregado, no burburinho da cidade de desperta. Mas não desta vez…desta vez sentei-me só para estar comigo.

Recusei-me a pôr açúcar no sumo de limão espremido à minha frente. Também não o diluí com água. Quis que fosse assim, puro, cru, ácido. Como a vida, no fundo, pensei. No fundo, mesmo que se encha de açúcar, que se dilua com água, a vida será sempre ácida. Usamos o açúcar e a água como tentativas desesperadas de mascarar o seu paladar.

As células sensoriais responsáveis pelo doce entram primeiro em acção, esperando dominar o ácido. Este é sentido mais tarde no fundo da região lateral da língua, após se entranhar. Quando o açúcar não é suficiente, o ácido sobrepõe-se muito facilmente ao doce, afinal é ele o natural.

Bem, sendo a vida aquilo que fazemos dela, na verdade o ácido está então nas pessoas e não na vida em si. Não é a vida que não nos dá muitas oportunidades, somos nós que esperamos ter oportunidades sem as darmos aos outros. Desprezamos qualquer possibilidade de beneficiar outro que não o nosso pequeno e raquítico limão. Até ao dia em que sentimos o ácido a queimar o fundo da língua. Não é o ácido que tem culpa, ele sempre esteve ali… o açúcar é que foi sofrega e egoísticamente absorvido.

Afundei-me um pouco mais no banco e enrolei a manta de veludo à minha volta. Olhei para o sumo e aceitei-o ainda um pouco desapontada pela sua natureza. Eventualmente irei acabar por lhe juntar o açúcar e a água… mas por agora, só por mais um tempo quero aceitá-lo como é, para que mais tarde não me esqueça…

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Tuesday, December 29, 2009

monalisa

She’s smiling, but is she happy? She looks happy, so what does it matter?

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