Voltei… e mudei…
Um dia só faltaram sete. Um dia as malas foram reabertas, as roupas arrumadas junto das prendas para a família. Prendas de um regresso que nunca mais chegava, de um desejo de um abraço sem fim. As festas de despedida inesperadas, os últimos olhares, as últimas viagens de bicicleta. Os últimos sabores e cheiros de uma terra que me cativou tanto sem nunca me pedir nada em troca a não ser a minha presença e o meu regresso…um dia. Lembro-me dos últimos sítios aonde fui, lembro-me dos primeiros e de todos aqueles entre uns e outros. Lembro-me do dia em que parti e do dia em que cheguei a mim. Lembro-me do dia em que descobri que não queria ser mais ninguém, senão eu mesma. Encontrei tanto. Aprendi tanto. Cresci… um pouco mais. Só quando toquei nas nuvens e vislumbrei o deslumbrante país de retalhos que me tinha acolhido como a uma filha a ficar cada vez mais longe, me soube a sal. Me soube a saudade, como a saudade que me soube ao avistar Lisboa, pintada em tons de pôr do sol… linda, como quando a deixei ao amanhecer. Com os braços abertos, o mesmo cheiro a casa e a língua onde atrevi o primeiro “obrigada” depois de tanto tempo. Tudo mudou. As pessoas, as cores, a forma de ver, de sentir. Tudo em mim mudou, muito e principalmente. Consegui tudo e muito mais do que procurava. Encontrei o que não sabia existir. Encontrei o que sou capaz e o que quero para mim. Tudo mudou e eu sou tudo.







