Sunday, December 11, 2011
Sunday, November 27, 2011
Fecho os olhos e vejo-te a ti. Vejo-me a mim. Abraçamo-nos envoltos por uma luz intensa que tenta difundir-se por entre os nossos corpos colados. Oiço gargalhadas abafadas por entre segredos cúmplices, oiço o som dos pássaros e o quebrar das folhas no Outono. Dançamos felizes, despreocupados em roupa esvoaçante.Corpos boémios em sintonia, inebriados por sabores exóticos.
Fecho os olhos outra vez, sinto o cheiro a bolos acabados de sair do forno enquanto o pôr-do-sol entra pela janela de uma cozinha acolhedora. O teu nariz enfarinhado toca no meu. Sinto o sabor a casa, a magia, a amor. Ouve-se uma música suave que nos conduz com harmonia. Debussy talvez.
Sinto a tua alma em mim, o meu cheiro em ti, o teu jeito e o meu, juntos. Os teus dedos pelo meu cabelo, os meus dedos pelo teu peito.
Fecho os olhos e vejo-te em mim, coisas simples a uma luz ténue que separa o sonho da realidade.
Wednesday, February 2, 2011
Hoje sinto que estou cansada acima de todos os limites. Cansada de ser testada, posta á prova, levada á exaustão por meros caprichos. Hoje estou cansada que esperem de mim o melhor, as minhas energias esgotaram-se enquanto esperava por respostas que não quero ouvir. Enquanto esperava calma, compreensão… talvez mesmo esperasse um pequeno abrigo onde pudesse recolher as armas e deitar a cabeça. Sucumbir ao que não posso mudar, aceitar o destino como uma oportunidade. Mas não. Hoje não podia ser assim. Até porque se assim tivesse sido, o amanha não poderia ser melhor. Hoje não me arrependo porque sei e aceito que está para além do que consigo aguentar. Não preciso de desculpas. Não preciso de atitudes nem sermões… Não encontrei o que procurava, talvez demasiado sofregamente, e agora não consigo querer mais nada. A pulsação estabilizou, o cansaço adormeceu a tristeza do dito e do não dito e voltei a ficar apenas eu. Apenas a minha respiração e as pálpebras pesadas quando nada mais parece restar. Do fundo da alma oiço leves sussurros…ás vezes encontramos o que procuramos nos locais mais inesperados…e sem dar por isso o amanhã já começou.
Wednesday, January 12, 2011
A 33000 pés de altitude tento imaginar o futuro, mas não enxergo qualquer imagem. Tento lê-lo nas linhas que cruzam a minha mão…mas nada me parece diferente e sei que tudo está prestes a mudar. Então se é assim, sem certezas, sem reconforto, sem saber como vai ser, queria apenas um sinal, por mais pequeno que seja, que me fizesse querer agarrar esta oportunidade como à própria vida. Que me desse força para erguer a cabeça e deixar tudo o que conheço. Para conseguir não desistir, não olhar para trás, confiar nem que seja só por um momento no que este destino, tão diferente do que eu tinha imaginado, reserva para mim…e para ti.
Queria uma bola de cristal, um búzio e um bolinho da sorte que me acompanhassem nesta viagem. O que eu não dava por poder ouvir dentro de mim um leve sussurro que dissesse que vai correr tudo bem. Mas não, nada. Apenas um sentimento claustrofóbico capaz de se sobrepor a qualquer molécula de oxigénio que tente beijar os meus lábios.
Queria lançar as cartas e questionar os astros mas o desejo de te encontrar é cada vez mais assombrado e o futuro que tínhamos escolhido para nós parece ter sido coberto por uma névoa espessa, impossível de distinguir. O que vai ser dos nossos retratos, do jacuzzi e dos sofás de pele…da cama grande e fofa e da sala da música com os posters nas paredes? O que vai ser das minhas telas sem ti, dos teus sonhos sem tigres, das nossas bolachas e do nosso cheiro? O que vai acontecer às viagens que tínhamos planeado e a todas as músicas que nos faltam descobrir? Vamos poder continuar a discutir, a fazer conchinha e a concordar em relação a móveis de loiças na sala? Só queria, só quero muito, saber se sim, se não, se posso, se devo, se consigo, se conseguimos,…
Queria só saber…
A 33000 pés de altitude tento imaginar o futuro, mas não enxergo qualquer imagem. Tento lê-lo nas linhas que cruzam a minha mão...mas nada me parece diferente e porém tudo está prestes a mudar. Então se é assim, sem certezas, sem reconforto, sem saber como vai ser, queria apenas um sinal, por mais pequeno que seja, que me fizesse querer agarrar esta oportunidade como à própria vida. Que me desse força para erguer a cabeça e deixar tudo o que conheço. Para conseguir não desistir, não olhar para trás, confiar nem que seja só por um momento no que este destino, tão diferente do que eu tinha imaginado, reserva para mim...e para ti. Queria uma bola de cristal, um búzio e um bolinho da sorte que me acompanhassem nesta viagem. O que eu não dava por poder ouvir dentro de mim um leve sussurro que dissesse que vai correr tudo bem. Mas não, nada. Apenas um sentimento claustrofóbico capaz de se sobrepor a qualquer molécula de oxigénio que tente beijar os meus lábios. Queria lançar as cartas e questionar os astros mas o desejo de te encontrar é cada vez mais assombrado e o futuro que tínhamos escolhido para nós parece ter sido coberto por uma névoa espessa, impossível de distinguir. O que vão ser dos nossos retratos, do jacuzzi e dos sofás de pele...da cama grande e fofa e da sala da música com os posters nas paredes? O que vão ser das minhas telas sem ti, dos teus sonhos sem tigres, das nossas bolachas e do nosso cheiro? O que vai acontecer às viagens que tínhamos planeado e a todas as músicas que nos faltam descobrir? Vamos poder continuar a discutir, a fazer conchinha e a concordar em relação a móveis de loiças na sala? Só queria, só quero muito, saber se sim, se posso, se devo, se consigo, se conseguimos,...se queres... Queria só saber...
Thursday, December 23, 2010
Escalada até ao infinito
Á medida que vou avançando na escalada da vida apercebo-me que o truque divino é arrastar o topo da montanha para longe sempre que quase lá chegamos. Afinal não era esse o caminho… Fazem-te falta mais pedras, mais quedas, mais voos inexperientes. Se ainda tens ar nos pulmões, se o músculo do peito ainda contrai então ainda te falta subir. E se sentires que fintas o destino e o mundo beija a tua mão, há possibilidades infinitas para que a corda que te puxa te passe a pendurar. Somos apenas fantoches a baloiçar numa montanha de faz de conta. O ar que respiramos tanto nos asfixia como nos acaricia e fomos abençoados com um gosto masoquista pela queda livre eminente. A estabilidade que nos foi concedida cabe num fio de cristal que carregamos nas nossas mãos trémulas durante todo o tempo e qualquer sentimento que se assemelhe a equilíbrio significa apenas que ainda não saímos do lugar. É a isto que chamamos vida, são as quedas que nos despertam da dormência, são os voos que nos lembram o que somos, são as pedras que nos forçam a saber o que queremos e até onde vamos para que o peito continue a bater. E a única certeza que temos é que se soubermos ele continua a bater…
Á medida que vou avançando na escalada da vida apercebo-me que o truque divino é arrastar o topo da montanha para longe sempre que quase lá chegamos. Afinal não era esse o caminho... Fazem-te falta mais pedras, mais quedas, mais voos inexperientes. Se ainda tens ar nos pulmões, se o músculo do peito ainda contrai então ainda te falta subir. E se sentires que fintas o destino e o mundo beija a tua mão há possibilidades infinitas para que a corda que te puxe te passe a pendurar. Somos apenas fantoches a baloiçar numa montanha de faz de conta. O ar que respiramos tanto nos asfixia como nos acaricia e fomos abençoados com um gosto masoquista pela queda livre eminente. A estabilidade que nos foi concedida cabe num fio de cristal que carregamos nas nossas mãos trémulas durante todo o tempo e qualquer sentimento que se assemelhe a equilíbrio significa apenas que ainda não saímos do lugar. É a isto que chamamos vida, são as quedas que nos despertam da dormência, são os voos que nos lembram o que somos, são as pedras que nos forçam a saber o que queremos e até onde vamos para que o peito continue a bater. E a única certeza que temos é que se soubermos ele continua a bater...
Sunday, July 4, 2010
Já…
Já vi o sol nascer, já dancei à chuva.
Já provei sabores de terras longínquas. Já sonhei com príncipes e cavalos brancos.
Já guardei segredos em caixas invisíveis, já escalei muralhas, empunhei espadas e venci medos.
Já quis ser mais alta, já voei. Já subi às árvores e esfolei os joelhos.
Já mudei, já teimei, já pulei de alegria.
Já vi uma vida a começar. Vi relações a acabar.
Já chorei de alegria, já ri apesar da tristeza.
Já fiquei presa a palavras, já me libertei de conceitos.
Já me rendi com um beijo. Já mordi o fruto proibido.
Já me apaixonei por uma música, já me desiludi por amor.
Já fugi de alguém, já me salvaram com um abraço.
Já me encontrei num sorriso. Já sorri sem razão.
Já descobri talentos. Já fiz a diferença.
Passou um quarto de século desde que, pela primeira vez, o ar entrou nos meus pulmões e eu abri os olhos para o que antes só sentia existir. 25 Anos apenas, tanto que o mundo me mudou. Tão pouco que eu o consegui mudar. Há ainda uma infinidade de opções e experiências, um mundo de mudanças para viver.
Friday, February 5, 2010
Deixei-me cair no banco junto à janela. Podia ser só mais uma vez como tantas outras, em que me deixo ficar e perco o olhar e os sonhos no horizonte, nos montes ao longe, no céu ora limpo ora carregado, no burburinho da cidade de desperta. Mas não desta vez…desta vez sentei-me só para estar comigo.
Recusei-me a pôr açúcar no sumo de limão espremido à minha frente. Também não o diluí com água. Quis que fosse assim, puro, cru, ácido. Como a vida, no fundo, pensei. No fundo, mesmo que se encha de açúcar, que se dilua com água, a vida será sempre ácida. Usamos o açúcar e a água como tentativas desesperadas de mascarar o seu paladar.
As células sensoriais responsáveis pelo doce entram primeiro em acção, esperando dominar o ácido. Este é sentido mais tarde no fundo da região lateral da língua, após se entranhar. Quando o açúcar não é suficiente, o ácido sobrepõe-se muito facilmente ao doce, afinal é ele o natural.
Bem, sendo a vida aquilo que fazemos dela, na verdade o ácido está então nas pessoas e não na vida em si. Não é a vida que não nos dá muitas oportunidades, somos nós que esperamos ter oportunidades sem as darmos aos outros. Desprezamos qualquer possibilidade de beneficiar outro que não o nosso pequeno e raquítico limão. Até ao dia em que sentimos o ácido a queimar o fundo da língua. Não é o ácido que tem culpa, ele sempre esteve ali… o açúcar é que foi sofrega e egoísticamente absorvido.
Afundei-me um pouco mais no banco e enrolei a manta de veludo à minha volta. Olhei para o sumo e aceitei-o ainda um pouco desapontada pela sua natureza. Eventualmente irei acabar por lhe juntar o açúcar e a água… mas por agora, só por mais um tempo quero aceitá-lo como é, para que mais tarde não me esqueça…

Tuesday, December 29, 2009

She’s smiling, but is she happy? She looks happy, so what does it matter?
Saturday, October 31, 2009
Voltei… e mudei…
Um dia só faltaram sete. Um dia as malas foram reabertas, as roupas arrumadas junto das prendas para a família. Prendas de um regresso que nunca mais chegava, de um desejo de um abraço sem fim. As festas de despedida inesperadas, os últimos olhares, as últimas viagens de bicicleta. Os últimos sabores e cheiros de uma terra que me cativou tanto sem nunca me pedir nada em troca a não ser a minha presença e o meu regresso…um dia. Lembro-me dos últimos sítios aonde fui, lembro-me dos primeiros e de todos aqueles entre uns e outros. Lembro-me do dia em que parti e do dia em que cheguei a mim. Lembro-me do dia em que descobri que não queria ser mais ninguém, senão eu mesma. Encontrei tanto. Aprendi tanto. Cresci… um pouco mais. Só quando toquei nas nuvens e vislumbrei o deslumbrante país de retalhos que me tinha acolhido como a uma filha a ficar cada vez mais longe, me soube a sal. Me soube a saudade, como a saudade que me soube ao avistar Lisboa, pintada em tons de pôr do sol… linda, como quando a deixei ao amanhecer. Com os braços abertos, o mesmo cheiro a casa e a língua onde atrevi o primeiro “obrigada” depois de tanto tempo. Tudo mudou. As pessoas, as cores, a forma de ver, de sentir. Tudo em mim mudou, muito e principalmente. Consegui tudo e muito mais do que procurava. Encontrei o que não sabia existir. Encontrei o que sou capaz e o que quero para mim. Tudo mudou e eu sou tudo.

Monday, June 29, 2009
O lápis tosco e gasto que encontrei no fundo da gaveta rasga os poros do papel imprimindo-lhe pedaços do seu carvão. Cheira a desenhos distantes que nunca confessei. E como se de um segredo se tratasse aperto contra mim as folhas num momento de intimidade.
As ondas do lago propagam-se na sua quietude e as vozes dos patos enchem o seu infinito da mesma forma que este velho lápis preenche esta simples pálida folha de papel com os sons da minha alma.
E o fundo de mim grita até tocar nesse infinito que é um mundo de perguntas sem resposta. Um paraíso de impulsos sem consequências, que me arrepiam por dentro e me lavam a alma.
Não existe o tempo. Não existe a distância.
Espreito o meu reflexo nas águas onde um dia Narciso se afogou, mas a imagem que vejo mais ninguém consegue ver. Vislumbro o fundo do que sou e estico os braços para agarrar o que quero que ser…que está tão perto e tão longe.
Largo o velho lápis e o papel, dispo as roupas que me prendem e deixo que a água acaricie o meu corpo. Deixo-me embriagar pelo seu toque e o meu corpo nu desliza cada vez mais fundo, e os raios de luz que atravessam a água são cada vez mais ténues, e o eco do mundo à superfície está cada vez mais longe… e eu vou sem mais nada do que uma alma que se encontra em se perder…




